quarta-feira, 23 de março de 2011



EXTREMOS DA PAIXÃO

"Não, meu bem, não adianta bancar o distante lá vem o amor nos dilacerar de novo..."

Andei pensando coisas. O que é raro, dirão os irônicos. Ou "o que foi?" - perguntariam os complacentes. Para estes últimos, quem sabe, escrevo. E repito: andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro (a) mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua vivo (a), há então uma morte anormal. O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS quem morreu. E dói mais fundo- porque se poderia ter, já que está vivo (a). Mas não se tem, nem se terá, quando o fim do amor é: NEVER.
Pensando nisso, pensei um pouco depois em Boy George: meu-amor-me-abandonou-e-sem-ele-eu-nao-vivo-então-quero-morrer-drogado. Lembrei de John Hincley Jr., apaixonado por Jodie Foster, e que escreveu a ela, em 1981: "Se você não me amar, eu matarei o presidente". E deu um tiro em Ronald Regan. A frase de Hincley é a mais significativa frase de amor do século XX. A atitude de Boy George - se não houver algo de publicitário nisso - é a mais linda atitude de amor do século XX. Penso em Werther, de Goethe. E acho lindo.
No século XX não se ama. Ninguém quer ninguém. Amar é out, é babaca, é careta. Embora persistam essas estranhas fronteiras entre paixão e loucura, entre paixão e suicídio. Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira:compreendo sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe,berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó. O que ou quem cruzo entre esses dois portos gelados da solidão é mera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o terno do perecível, loucos.
Depois, pensei também em Adèle Hugo, filha de Victor Hugo. A Adèle H. de François Truffaut, vivida por Isabelle Adjani. Adèle apaixonou-se por um homem. Ele não a queria. Ela o seguiu aos Estados Unidos, ao Caribe, escrevendo cartas jamais respondidas, rastejando por amor. Enlouqueceu mendigando a atenção dele. Certo dia, em Barbados, esbarraram na rua. Ele a olhou. Ela, louca de amor por ele, não o reconheceu. Ele havia deixado de ser ele: transformara-se em símbolos em face nem corpo da paixão e da loucura dela. Não era mais ele: ela amava alguém que não existia mais, objetivamente. Existia somente dentro dela. Adèle morreu no hospício, escrevendo cartas (a ele: "É para você, para você que eu escrevo" - dizia Ana C.) numa língua que, até hoje, ninguém conseguiu decifrar.
Andei pensando em Adèle H., em Boy George e em John Hincley Jr. Andei pensando nesses extremos da paixão, quando te amo tanto e tão além do meu ego que - se você não me ama: eu enlouqueço, eu me suicido com heroína ou eu mato o presidente. Me veio um fundo desprezo pela minha/nossa dor mediana, pela minha/nossa rejeição amorosa desempenhando papéis tipo sou-forte-seguro-essa-sou-mais-eu. Que imensa miséria o grande amor - depois do não, depois do fim - reduzir-se a duas ou três frases frias ou sarcásticas. Num bar qualquer, numa esquina da vida.
Ai que dor: que dor sentida e portuguesa de Fernando Pessoa - muito mais sábio -, que nunca caiu nessas ciladas. Pois como já dizia Drummond, "o amor car(o,a,) colega esse não consola nunca de núncaras". E apesar de tudo eu penso sim, eu digo sim, eu quero Sins.

O Estado de S. Paulo, 8/7/1986


Não é meu,mais é do Caio Fernando de Abreu,tô perdoada?

sábado, 19 de março de 2011

 

     O processo de regulamentação de alguns ossos e ossificação das cartilagens dói,porém é a dor mais gratificante que a natureza nos dá,sermos grandes.
     Se nada mais te prende,te comove,se o passado não te atormenta mais é sinal de que é hora de crescer,de visar arquitetar um futuro glorioso,corre,vai ganhar o mundo.

Grande não é sinônimo de crescer



enfermagem metafórica :)
    


segunda-feira, 14 de março de 2011



  Vi o anuncio,chamei as amigas,comprei as entradas,sequei o cabelo,arrumei as unhas,escolhi o look,passei perfume,francês,que é pra notarem,cheguei,olhei,não vi ninguém,"quer dançar?",recusei,ah esse eu quero,não não gostei,não tem ninguém aqui,dancei,bebi,ri da amiga que pegou o carinha,olhei mais,olhei a hora,cedo,outro carinha,não serve,caramba vei nessa festa não tem ninguém?,fui ao banheiro,tô acabada,meu cabelo já era,sem problemas a festa não tem niguém mesmo,eita,ele tá ali,me esconde,me esconde,ele tá gatinho,ele ta com outra,puts,vou chorar,nessa festa não tem ninguém,decepção,tá vou dançar com esse aqui,eita ele sabe dançar,prazer também,não não acredito,gostei,gostei,mas e ele?,ferre-se,junto com essa bixa feia que ele arrumou,beijei,beijei,dancei,dancei,beijei,como eu não tinha visto ele antes?,aah ele é lindo,"amiga tu viu ele ali com uma bixa feia?",você tá falando de quem?,shiu amiga ele pode ouvir,ah mas ele é muito fofo,lindo,beijo de despedida,taxi,casa da amiga,orkut,msn,o que ele está tentando dizer?,pra quê tanto emoticon?,esse emoticon de "oi" é meio gay,ainda não traduzi essa frase,vou dizer que vou dormir,fofo uma ova,deve ser gay,por isso que ele era tão fofo,saquei,ou então é só um prego inofensivo,melhor procurar outro. 

Quem nunca teve uma desilusão-ortográfica amorosa que atire a primeira pedra

sexta-feira, 11 de março de 2011






"Você me diz que ama a chuva, mas você abre seu guarda-chuva quando chove. Você diz que ama o sol, mas você procura um ponto de sombra quando o sol brilha. Você diz que ama o vento, mas você fecha as janelas quando o vento sopra. É por isso que eu tenho medo. Você também diz que me ama"

(William Shakespeare)

quarta-feira, 9 de março de 2011



Não posso negar que sou da classe das noveleiras,essa semana eu estava assistindo Tititi e teve um conselho que a Marcela deu que me tocou,foi o melhor de todos em que já ouvi e acho que pode tocar muita gente também.
Em primeiro lugar não existe essa de amor incondicional, que indepente do ele/ela te faça você vai estar lá fiel,amando,pagando um pau da mulesta para aquela pessoa, isso ai é tudo balela tudo historinha de contos de fada moderno.Ver a pessoa que você gosta te magoando fazendo algo errado vai doer  sim e pra caramba.
Só se insiste em uma pessoa errada pela qual você vacilou e se apaixonou por que há um desejo profundo de sentir aquela paxãozinha gostosa novamente,aquela historia de "o ser humano corre atrás de quem não presta por que gosta de desafio" é mentira também,quem não gostar do fácil que se dane e quem não gosta de carinho morra junto,a não ser que você seja masoquista o que não deve vir ao caso,se for procure outro blog.
Então pra quê ta se dedicando,se arrastando,correndo atrás de alguém que nunca vai mudar (outro conselho: você não é Deus ou seja não muda personalidade de ninguém,até ele tem dificuldade de chegar nas pessoas e mudar seu jeito de viver,então desista ai viu) o mundo tem 6477 bilhões de habitantes,é um bocadinho de gente e eu te garanto que alguém vai te fazer sentir aquilo que você sentiu novamente e você adquiriu experiência então essa nova pessoa não vai ser igual a antiga(graças a Deus),se abra para o novo,faça tudo aquilo que não fez e não cometa os erros do passado,a velha felicidade por um simples sorriso volta sim! Este produto eu recomendo, testado e aprovado.
                         

Carta Desculpa ao leitor:

Pessoal mil desculpas pelo abandono total, período de transição sempre abala a vida da gente, comecei meus estudos de enfermagem na faculdade e estive viajando agora no carnaval por Olinda, um carnaval que super recomendo, porém tome bastante água porque você vai perder todinha lá, lá faz um friiio danado sabe e cuidado também nas subidas e decidas não voltem pra casa cheios (as) de ronxas como eu. Passei também pelo carnaval de Lucena, eu não gostei muito, mas pra quem gosta de siwgueira entre primos e molha molha é o lugar certo,enfim não faz muito meu estilo,não tenho família grande.
De agora em diante vai ser mais complicado com a faculdade e escrever textos pra aqui, tanto pelo meu estado de espírito (melhor impossível) quanto pelo corre corre e pelas matérias pesadas da facul(anatomia sua linda),então decidi que vão ter dias em que vou postar outros textos que não foram escritos por mim,de qualidade lógico,porém vou continuar escrevendo sim porque é até um enriquecimento pessoal.

Me perdoem e daqui a pouco tem texto novinho